sábado, agosto 21, 2004

A SOLIDAO ME FEZ MAL, TIVE TEMPO PRA PENSAR COMO UMAS PESSOAS PODEM NOS SER TAO NECESSARIAS NUM DIA E SUMIREM NO DIA SEGUINTE? NAO DEVIA DURAR? - do filme: 3 formas de amar

Esses ultimos dias venho pensando na atitude de um amigo que abriu o jogo, rasgou o verbo, tornou publico todos seus sentimentos, na forma de uma carta, onde ele fala tudo, os acontecimentos, os sentimentos, e termina em grande estilo colocando o presente que mandei pra ele (sobre a carta) - I Dream of You (Terry Moore).
Talvez por respeito, vergonha, medo... sei la pq! eu sempre escrevo por metaforas. Faço posts imaginarios onde falo abertamente do que sinto, com nomes, cpf's, tudo... mas estes ficam so na imaginaçao mesmo.
Hoje regada a vinho barato (pouco, pois so tinha um resto deixado por alguem na geladeira), uma bandinha nova e por meia duzia de episodios do sexy in the city tenho vontade de falar coisas que eu sinto. Abertamente, sem metaforas.
Queria uma palavra sua. queria saber o que se passa na sua cabeca hj, depois de tanto tempo, pois na minha muita coisa mudou. Nao te procuraria pois sei o impacto que isso tem em mim, mas o silencio tem sido meu grande fantasma.
No dia dos pais houve houve um "sinal de fumaça" e vc sem nenhuma atitude, como sempre... o silencio tem dito muita coisa, nao eh? Hoje em dia absolutamente tudo. ou melhor nada! E agradeço pelo nada, chega de mentiras e ilusoes.
Entao hoje resolvi romper protocolos metoforicos, falar de mim, abertamente, sem link's, sem caminhos obscuros, perdendo o medo de perder, pois ja perdi. Falar, e nao esperar que as pessoas leaim, nao esperar comentarios, nao esperar nada mais, nem um sinal (afinal essa tem sido minha vida!). tudo que quero eh exorcisar fantasmas, colocar isso pra fora.

Penso sobre exclus?o, penso em quanto me sinto alienada do mundo e penso que sou Um Outro Erro. Em busca de uma vida mediana, de pessoas que atendam ao mínimo do que espero do mundo me sinto completamente sozinha.
Gosto das minhas roupas, de camisas de bandas, de camisas que dizem alguma coisa e ao mesmo tempo dizem tudo sobre nós mesmos. Gosto das minhas musicas e me emociono com algumas delas. Tudo que quero s?o pessoas que pensem como eu. N?o faço quest?o de luxo, penso em pessoas limpinhas e como fico feliz ao encontra-las. Penso em gostos musicais e em bandas favoritas. Vejo o mundo como preconceituoso, e n?o consigo me encontrar nem em grupos ditos excluídos. A exclus?o n?o necessariamente eh algo de fora pra dentro. Cada um se agarra ao que tem, cada um de nós vive com o que se apresenta no momento, mas os sentimentos sempre ficam ali, independentes do day-by-day.
Levo a vida com alegria e agradeço sempre por oportunidades. Amo meus amigos, mas n?o consigo me ver neles. Como podemos ser t?o diferentes uns dos outros a ponto de divergirmos extremamente até das pessoas que nos apóiam?
Como propósito de vida cumpro bem a miss?o de ser feliz, de sorrir em manh?s cinzentas, minhas preferidas e me irritar com a claridade do dia de sol, mas cá dentro sempre tenho a sensaç?o de faltar algo.
A abstin?ncia de terapia, forçada pelas férias, me levam a reflex?es sobre o mundo e sobre o futuro. Medo? N?o! N?o é esse o problema... Provavelmente irei abrir uma confeitaria para expor a coleç?o de bolos e as frustraç?es na vitrine.
As mudanças levam pessoas pra longe de mim, e a saudade já n?o eh focada. Pois as lembranças n?o refletem mais um futuro possível, o passado mudou tanto que n?o está mais ali, deixou de ser interessante. O verde se tornou vermelho e já n?o é mais foco de desejo, por ser vermelho, e vermelho n?o é algo que cabe nos parâmetros medianos de uma vida mediana, de sonhos medianos, meus sonhos. Depois de viver uma vida mediana n?o queremos mais o mínimo nem o máximo.
Loucura para a maioria, gosto de digitar no escuro, apenas com a música ligada, sentindo o frio bater nas costas e as pessoas conversando ao longe. Esperar o sono chegar de mancinho e ir tomando conta do corpo até n?o restarem mais forças.
Sonho com historias de amor, encontros inesperados no elevador, que terminam na velhice, no meio do caminho buscas de informaç?es t?o divertidas quanto surpreendentes, contadas anos mais tarde em uma mesa de bar. E penso em colocar, na vitrine um espaço reservado para essas frustraç?es, pq na maioria das vezes sonhos s?o só sonhos e nada mais.
Ainda sobre frustraç?es, momentos bons geram expectativas, e quando os momentos futuros n?o s?o t?o bons, ou apenas diferentes, o mundo despenca. Colocar na balança o que eh possível, o que é real, o interesse ou interessante pra cada um, o egoísmo do mundo e o meu egoísmo é tarefa que ainda tenho que aprender.
Amanh? é um novo dia, e como todos os outros acordarei, usarei uma de minhas camisas que dizem alguma coisa, meu all star, meu batom marrom, escutarei minhas músicas, sorrirei para o dia cinzento e apreciarei mais 24 horas da sensaç?o de que falta um contexto. Boa Noite, e... bjotchau.

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