FALCAO MALTES
(resumido) Um homem chamado Flitcraft deixou um dia o escritório da sua empresa, para ir a lanchonete, e nunca mais voltou. Ele sumiu! Como um punho, quando se abre a m?o.
Aqui está o que lhe acontecera: No caminho para o lanche, passou por um prédio que estava sendo levantado. Uma trave, caiu de uns oito ou dez andares, e arrebentou o passeio ao seu lado, passando muito próximo dele, mas sem o tocar, apesar de um estilhaço do passeio atingir-lhe o rosto. Tirou-lhe apenas um pouco da pele. Ficou bastante amedrontado. Sentia-se como se alguém tivesse tirado a tampa da vida e o deixasse ver o seu funcionamento.
Ficou ent?o sabendo que se podia morrer assim por acaso. O que o perturbava era a descoberta de que ordenando sensatamente suas ocupaç?es, saíra fora de passo, em vez de acertar o passo, com a vida. Teve consci?ncia, antes de se afastar vinte pés da trave caída, que nunca teria tranqüilidade de novo, enquanto n?o se tivesse reajustado a esta nova concepç?o da vida.
Durante um par de anos errou pelo mundo, e quando rumou de volta a sua regi?o estabeleceu-se em outra cidade, e casou-se. Sua segunda mulher n?o era igual ? primeira, mas eram mais parecidas que diferentes. Ele n?o se arrependia do que tinha feito. Nem mesmo tinha consci?ncia de que tornara a se estabelecer nas mesmas bases das quais tinha fugido.
Ele ajustou-se as traves que caem, e ent?o n?o caiu mais nenhuma, e ele se ajustou as traves que n?o caem.
segunda-feira, julho 12, 2004
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