terça-feira, janeiro 14, 2003

:: Os Barcos :: (Renato Russo)

Vocę diz que tudo terminou
Vocę năo quer mais o meu querer
Estamos medindo forças desiguais:
Qualquer um pode ver
Que só terminou p’rá vocę.

Săo só palavras: teço ensaio e cena
A cada ato enceno a diferença
Do que é amor ficou o seu retrato
A peça que interpreto
Um improviso insensato
Essa saudade eu sei de cor
Sei o caminho dos barcos.

E há muito estou alheio e quem me entende
Recebe o resto exato e tăo pequeno:
É dor, se há - tentava. Já năo tento.

E ao transformar em dor o que é vaidade
E ao ter amor se este é só orgulho
Eu faço da mentira, liberdade
E de qualquer quintal faço cidade
E insisto que é virtude o que é entulho:
Baldio é o meu terreno e meu alarde.

Eu vejo vocę se apaixonando outra vez
Eu fico com a saudade
Vocę com um outro alguém.

E vocę diz que tudo terminou
Mas qualquer um pode ver:
Que só terminou p’rá vocę.

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